segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Que Diria Circe?


Cara magro, bigodinho fino, bermuda com padrões nada discretos lhe tentando vender “areia mágica para construir castelos”. De tão absurdo resolveu entrar na pilha. Pechinchou, brigou, xingou, até que escutou a voz que insistia logo ao fundo, atrás do sol. Ela contou, três, dois, um; e com o estalo dos dedos ele despertava da hipnose, mas não se encontrava estirado numa poltrona, num consultório com cheiro de livros, chão acarpetado e pêndulo dançando sobre os olhos.
Sarjeta lamacenta, lixo, uma fauna de animais repugnantes e um cheiro insuportável. Haviam alguns mendigos escondidos por ali, e a maioria fugiu quando resolveu se levantar, porém um se aproximou, ainda que meio desconfiado.
À distância de um braço parou. Mesmo cabelo, nariz olhos...Incrível!A imagem do espelho certamente havia lhe fugido para se abrigar nas ruas.
A boca tremelicante tentou perguntar alguma coisa, mas seu duplo se antecipou. O nome, certamente seria o mesmo!Pensou em perguntar de onde vinha, mas sua imitação parecia ainda mais confusa que ele.
-Você está morto!-Sussurrou.
-Claro que não!-Sentiu vontade de empurrar sua cópia, e fugir para o apartamento, mas não sabia ao menos onde estava. Foi se afastando, mãos enxugando o suor, ar se tornando rarefeito e estômago em turbulência.
-Eu tenho seus documentos, olhe!Eu o descobri no obituário, faz uns seis meses, gostei do seu jeito e te copiei...
O homem ameaçou uma corrida, mas foi agarrado, derrubado e imobilizado pelo seu simulacro.
-Está maluco!Você não tem autorização para sair do beco. Eles vão te matar!
-Mas o que...
-Me parece que vocês humanos gostam de criar guetos para se distinguirem, respondeu numa voz angustiada.
-Me larga!-Esperneou, se debateu, tentou cabeçadas e coices, porém a criatura era bem mais forte.
-Mas o que você...
-Meu nome é Ralai, de um planetinha obscuro próximo à ZZB-817; se bem que sua raça ainda não mapeou aquelas bandas...
-Metamorfo?
-É o que parece.
-Seu mundo possui substantivos masculinos e femininos?
-Sim, e obrigado por perguntar, sou uma fêmea... -Sua própria voz naquela boca foi mudando de tom à medida que a frase era completada.O corpo acompanhou a transformação, com suas curvas se encaixando na folga da roupa, e os cabelos acobreados pendendo em preguiçosas ondas, ornando com a pele sardenta que provavelmente não era sua.
-Se não me sentisse aterrorizado por estar em um sonho maluco eu diria que isso é fascinante.
-Normal.
-Você cheira bem para quem vive nas ruas...
-Não sinto nada. Devem ser feromônios...Já tive problemas com algumas pessoas...e cães também.
-Eu sou Eleautério!-Sorriu, mas a criatura estava às suas costas.
-Eu sei. Gosto desse nome.
-Poderia me soltar agora, acho que me fraturou uma costela.
-Desculpe. Foi para seu bem!
-Seu cheiro é realmente muito bom!E, a propósito, onde esse beco vai dar?Fim do mundo, cidade das fadas, covil do Bicho-Papão?
-Não sei ao certo. Já Percorri alguns quilômetros, e isso fica mais largo, ou estreito em alguns pontos.Algumas pessoas dizem que não tem fim.Há minúsculos mercados, praças, e alguns dizem que até uma pequena cidade ao longo do caminho.
-Como as pessoas podem sobreviver dessa forma?
-Nós podemos aprender muito com a história, e com os ratos. Não é nada que nunca tenha se visto.
-Mas... o que está acontecendo lá fora, e como viemos parar aqui?
-Isso aqui é uma espécie de quarentena. Já dura alguns anos.Colapso econômico por conta da corrupção, algumas milícias na rua, muita violência, e o governo repentinamente alertou para a inoculação de um vírus extraído de porcos, de algum laboratório secreto lá pras bandas no norte, numa pequena célula de terroristas, que se misturaria às comunidades, e infectariam quantos pudessem.Daí as pessoas começaram a ser convocadas de acordo com seus números de registro, o que é muito estranho, e forçadas a se recolherem em becos como este.No início havia uma maioria negra, e o pessoal começou a se agitar, mas logo chegaram os judeus, homossexuais, protestantes, moradores-de-rua, palhaços e atendentes de fast-food, e tudo ficou mais calmo e divertido. Quanto à como você veio parar aqui, eu não tenho a menor idéia!Eu e meus amigos achávamos que você era um daqueles cadáveres sem identidade, rosto e digitais que costumam desovar por aqui de vez em quando.
-Estou faminto.
-Existe uma casa, uns quatro quarteirões daqui. Eles jogam umas  sobras excelentes pela janela.Cheguei a encontrar uma média quase intacta, uma boa carcaça de frango e umas frutas com alguns pontinhos apodrecidos...
-Lixo!?Isso é nojento... -Se afastou com o rosto contorcido de asco.
-A fome te obriga, e logo você se acostuma.
-Vou tentar escalar uma dessas paredes. Eu não vou ficar nesse lugar imundo...
-Eles nos deixam em paz, e nos alimentam; desde que não tentemos nada. As paredes são muito altas, lisas e cobertas por uma espécie de limo. Antigamente ouvíamos também tiros. Ninguém se arrisca hoje em dia.
-Eu preciso acordar desse pesadelo...
-Posso te assegurar que não está dormindo.
-Claro!E, de que eu morri mesmo?
 -Atropelamento. Uma van escolar.As crianças ficaram realmente assustadas quando viram todo aquele sangue no chão!
-Impossível, deve ser outra pessoa. Talvez, um do seu tipo...
-Talvez. Se bem que nunca dei falta de nenhum conhecido, ou fui informada da morte de qualquer parente...Mas você não dizia que tem fome?
-Eu me agüento.
-Devo te avisar que o tempo-espaço aqui no beco é bem estranho. Às vezes uma conversa durante uma caminhada pode te roubar algumas semanas, e não te levar mais do que alguns metros à diante.
-Não existiria alguma opção que não o lixo?
-Existem os ratos, cães... Encontro, ocasionalmente, alguns porcos perambulando por aqui ou ali.Já vi coelhos, certa vez; mas acho que foi em algum sonho.
-Vamos adiante. Quero conhecer um pouco sobre este lugar.Quem sabe descubra algo à mais sobre mim mesmo.
-O pessoal organiza uma fogueira com jornais, restos de móveis...
-Não quero misturar seu cheiro ao de seus amigos vagabundos. É como se estragasse um bom perfume.
-É suor...
-Seu hálito. Queria provar um beijo da tua boca.
-Você me constrange.
-Eu não costumo sonhar os mesmos sonhos, e tenho medo de não a reencontrar em outro deles...
-Mesmo sendo um lugar estranho, este, como lhe disse, não é um sonho.
-O seu sabor pode me convencer- ele avançou lentamente, sem qualquer resistência. A saliva era adocicada, e a língua possuía uma textura de veludo. Sem saber suas papilas decifravam seu DNA.Ele a comprimiu, e ela se sobressaltou.Havia algo de errado.
-Eu não vou lhe machucar- se desculpou; mas ela já havia se afastado muito, em direção oposta a que devia. Dobrou a esquina, antes que alcançasse o braço. Havia ruídos de coturnos percursionando a avenida, e logo estalou o som do tiro.
Ele correu a favor da vítima, mas foi detido antes de tocar o corpo. O arrastaram, algemaram e a boca havia se enchido de pó e sangue.
A conversa seguiu estranha, e alheia a sua participação. Ao que parecia, a moça era uma barriga de aluguel, das desonestas que vendem o produto a mais de um casal. A criança seria um híbrido de crescimento acelerado, que já devia ter a aparência de uns trinta e cinco anos, sem ter passado dos doze.Tal tipo de negociação era rara, e imprevisível; encomendada principalmente por equipes científicas criminosas disfarçadas de famílias.
Enquanto o arrastavam e espancavam foi se percebendo como um estilhaço de realidade que havia se fragmentado ainda em outras tantas estórias confusas, costuradas às pressas por um mínimo de coerência. A respiração entrecortada, o corpo entorpecido se esvaindo em sangue, então a mão esquerda se tornou garra escamosa e tentou rasgar o oficial mais próximo.
Eles revidaram e ele desmaiou. No fundo negro da falta de consciência rolava um blues que não conhecia, conversas alegres e cheiro de café.
O lugar era um laboratório. A gaiola não media mais do que um metro e meio, e aparentemente seu nome era Salomão. Os “aventais brancos” sorriam satisfeitos.Haviam se passado algumas semanas, e ele já não estranhava tanto sentir os cascos em lugar de mãos e pés.A TV continuava ligada em um canal de ficção científica, e eles disseram  que foi entre um e outro programa que ocorreram seus primeiros lampejos de consciência.Aparentemente sua mente foi se associando, e se incorporando àqueles universos intrincados, e fantasiosos, construindo sua própria identidade à partir dos seriados.
Eles já iam apagando as luzes, quando ouviu o final de uma piada interna, sobre ser ético comer a carne de um porco que se achava gente. Tentou chorar, mas aquilo não mais o pertencia!





Anderson Dias Cardoso.





sábado, 22 de agosto de 2015

Descobrindo-se.

Olhos de nebulosas, e corpo diluído de matéria, radiação eletromagnética, luz; ocupando todo o infinito, em milhões de dimensões... Não sei o que fui, sou, ou serei; e permaneço (ao menos nesses instantes) como recente desperto; sem par, com muitas dúvidas, sentindo meu colossal corpo se estriar, distendendo-se pra não sei onde!
Algumas galáxias já sumiram dos meus quadrantes, minhas estrelas se transformam em pulsares, enquanto que, como úlceras, tantos buracos negros devoram elementos celestes saudáveis. Acho que estou morrendo; e quem irá me confortar?
Espere. Existem outros seres menores, como delicados vermezinhos polvilhados em diversos pontos do meu corpo, que entendem sobre a morte, fragilidade e desesperança. Talvez me ajudem a entender a minha própria entropia... Eu só preciso conhecer a sua língua.
Eu só preciso os convencer a me contar suas histórias!




Anderson Dias Cardoso.






quarta-feira, 19 de agosto de 2015

No Teu Ar.

-Te disse que gostaria de saltar de paraquedas?
-Uma vez. A vontade ainda persiste?
-Acho que sim.
Então o homem estendeu a mão pro espaço vazio diante de si, afastando uma ponta da cortina da realidade, e logo tomava o lençol de casal para lhes fazer o aparato.
Quando passaram aquele limiar, lá estavam, à beira dos céus!
-Vamos saltar?
-É claro!
-Mas... O que acontece, então?
-O que você quiser, ou imaginar; estamos no seu poema!





Aderson Dias Cardoso.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Amor...

-Posso ser sincero contigo?
-Claro!
-Só estou com você por conta do seu dinheiro.
-Hum.
-Não está chateado?
-De maneira nenhuma!Acho a sinceridade uma virtude que acaba por suplantar seu interesse, e, já que chegamos a esse nível em nosso relacionamento, eu não tenho mais dinheiro algum.Tudo o que me viu gastando foi advindo do meu contrato de recisão.Estou duro!Duríssimo!
-Nosso verdadeiro relacionamento começou nesse minuto.
-Sim. Agora vamos; o último ônibus já deve estar passando por aquele ponto em frente ao coleginho.
-No final, não somos pessoas tão ruins.
-Não.





Anderson Dias Cardoso.

domingo, 16 de agosto de 2015

Como Dizia o Tio Ben...



O último quadro que se recordava da situação era o pintado com gritos e desaforos, pelo troco errado passado por aquele jovem caixa. Foram, lhe parecia, por conta de uns malditos cinco centavos, e o garoto quase se encolhia atrás do balcão, tamanha vergonha. Na verdade, não se sentiu mal, e achava que aquilo tudo fora merecido, mas, não sabia se por conta da sorte, notou que ambos eram filmados. Era preciso contornar a situação.
-Sabe quem eu sou, Sr... Algélio?
-Sim, senhor.
-Sabe que sou uma das pessoas mais ricas do Estado, correto?
-Sim, senhor.
-Então... Sei que fui meio indelicado contigo, e proponho uma brincadeira, para descontrair, e te compensar pelos meus exageros.Concorda?
-O que o senhor quiser.
-Eu tenho em meu bolso um objeto e, caso o senhor me descubra o que é te dou aquele carro que está lá fora.
-Mas, senhor... é muito...
-Eu sei que deve estar pensando que estou só brincando com sua cara – disse já depositando as chaves sobre o balcão – Aqui estão. São suas, caso consiga.
O garoto hesitou um pouco, fechou os olhos, mordeu o lábio inferior, e sussurrou algo inaudível.
-Não entendi, meu filho. Poderia repetir. Desafiou o debochado figurão.
-Disse que há um maço de cigarros, mais propriamente, um Marlboro, em seu bolso – a voz agora era firme, e o homem gargalhava a perder o fôlego.
-Muito bom!Muito bom, meu caro!Mas, como acredito que tenha notado, eu entrei aqui com minha carteira em mãos. Eu não tenho um bolso sequer em toda minha vestimenta; e além do mais, eu nem fumo!
-O senhor poderia tentar seu lado esquerdo, na parte da frente? – insistiu o rapaz, e o homem o fez; sacando da calça cara o objeto predito.
-Meu Deus! – As mãos trêmulas, e os olhos vidrados examinavam assustados aquele pequeno volume.
-Nunca subestime os garotos que trabalham à noite, em humildes conveniências, e quanto ao seu carro, fique com ele. – bradou a boca espumante do mancebo, enquanto se vaporizava e sumia diante dos olhos do poderoso homem.
Passos meio vacilantes, e o estado era de uma semi catatonia.O pé direito tocou o macio carpete de seu importado, quando ouviu ao longe uma voz insistente, que acompanhava um vulto. Quando este se pôs bem às vistas, notou o moço de uniforme suado, e respiração ofegante.
-Senhor, são R$ 19,85 pelo seu consumo.
-Mas... O que aconteceu com você?
-O que não era para ter acontecido... - choramingou o balconista.
O homem abriu a carteira, lhe entregando uma nota de cem, insistindo que ficasse com o troco.
Era melhor guardar sua curiosidade para coisas mais racionais.



Anderson Dias Cardoso.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Casa de Adoção de Enjeitados.



Não se lembrava como lhe chegou às mãos, mas o panfleto bem impresso, com enunciado em relevo e fotos convincentes do local e habitantes, o fizeram pensar em sua condição.
Subempregado, cheio de dívidas, e completando uma tripla jornada; encerrada com a troca de fraudas geriátrica, o banho com lenços umedecidos e preparo da “papa”. O velho gemia um pouco, se contorcia algumas vezes sobre o colchão de molas, para depois ressonar alto, lhe perturbando o foco no último noticiário.
A proposta parecia excelente, mas ele meio que se envergonhava da resolução. Decidiu-se por não comentar com ninguém até que o financiamento no banco, e a entrega do pai fosse uma realidade.
Felizmente, hoje em dia, algumas entidades são desburocratizadas, e interligadas.
Assinou a papelada com o timbre “Casa de Adoção dos Enjeitados”, que em letras graúdas, logo abaixo do subscrito valor recebido, alertava aos pretéritos responsáveis que, por conta da incorporação naquele novo núcleo familiar, eles haveriam de ser totalmente desligados de todas e quaisquer relações pregressas, das quais estas eram terminantemente proibidas de tentar qualquer contato, ou mesmo retornar algum dia. O arrependimento era coisa impossível!
Abraçou seu velho uma última vez, mas não disse nada. Não queria tornar aquilo mais doloroso do que o necessário.
Quando atravessou aqueles portões, se sentiu aliviado. Sabia que o homem teria uma vida melhor agora, à despeito de tantos boatos maldosos dizendo que as pessoas ali entregues, fossem velhos, crianças ou doentes mentais,  eram “descartados” assim que a família partisse.
As pessoas são muito cruéis com quem só quer fazer o bem!




Anderson Dias Cardoso.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Tama Bing Qing Gotchi.



Huan Yue havia assinado toda aquela papelada, e logo entregava sua pequena Bing Qing à enfermeira que, surgida do “nada”, a levou para “algum lugar”. Esperou umas oito horas até que reaparecesse, e lhe devolvesse o corpinho para ser enterrado.Chorou um pouco, mas não se ressentiu tanto.Se o que lhe haviam prometido fosse realidade, a criança, a seu modo, estaria salva.
As ruas, uns dias após, foram inundadas por novos “bichinhos virtuais”, os quais agora simulavam a vida de pessoas reais.
O pai tentou reclamar com a empresa que lhe prometera digitalizar a consciência de sua filha, porém ela havia deixado o endereço físico, para habitar e comercializar exclusivamente em ambiente virtual.
Reencontrar sua criança, confinada naquele pequeno aparelho da moda, foi coisa muito dolorosa, e lhe custou dois meses de salário.




Anderson Dias Cardoso.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Mais Profunda Solidão.


A mosca sobrevoava o asilo, e não notando lugar mais agradável, pousou em uma das finíssimas pernas daquele homem solitário. Ela a amou. Levou uma tarde inteira, passeando por seus poucos pêlos, e saltitando por entre os vincos de sua surrada pele; tão grande era a tristeza e vazio daquele gigante encarquilhado, resolveu-se por deixar-lhe um filho!O homem a compreendeu, ou achou tê-lo feito, já que sua voz diminuta e rouca não lhe chegara bem, impedida pelas músicas e anúncios do carro de som que seduzia ou irritava a vizinhança.
Dias depois a larva crescia forte e saudável, em meio ao inchaço da pele. O homem, vez em quando, a convidava a sair, com um pequeno e sedutor pedaço de toucinho; ao qual a "criança" gorda sentia o cheiro, e se contorcia de alegria até saltar à luz!
O velho senil não se sentia mais só. Já havia juntado, do que sobrara da aposentadoria e seus gastos com a estadia naquele lugar, e pedira que o enfermeiro o levasse para registrar o menino.
O nome seria Bernedito!




Anderson Dias Cardoso.

domingo, 9 de agosto de 2015

No Açougue é Mais ou Menos Assim:


-Por favor, me corta um quilo de alcatra, fatias bem finas, e passa no "batedor".
-Um quilo, né?
Daí chega o açogueiro, e joga a "banda" de uma vaca sobre a balança digital, que praticamente implode, e já cospe a etiquetinha de preço.
-Aí, chefe; deu dez arrobas.Pode ser?



Anderson Dias Cardoso.
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