sexta-feira, 15 de abril de 2016

Sobre os Temporais...



O aguaceiro havia invadido o barraco lavando tudo e destruindo os poucos bens dessa vida. Os pais e avó em prantos por suas perdas e a imprevisibilidade de suas já tão miseráveis vidas dali em diante. Mas Olívia não!
A garotinha sorria, pezinhos enlameados e coração radiante.
Talvez a chuva que levara fogão, armário e colchões, também tenha afogado os monstros que habitavam em baixo de sua cama.  






Anderson Dias Cardoso.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Empatia.

Poderiamos ser uma multidão de seres que migrassem de corpo a corpo ao longo da vida, nos apropriando das consciências e experiências de cada "simulacro" visitado, para que formássemos uma visão coerente de nós mesmos, e de terceiros.
Um dia na pele de nosso "inimigo", daquele a quem desprezamos, ao qual não queremos ouvir.
No outro nos encontraríamos verdadeiramente...






Anderson Dias Cardoso.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Segredos e Ausências.

Sua vida era um livro aberto, cheio de páginas em branco...
Grafadas por tinta invisível.





Anderson Dias Cardoso.

terça-feira, 29 de março de 2016

O Anúncio do Conto Abaixo.



“Espaço que mal comportaria um, por motivo de solidão e necessidade, hoje pode acolher outro.
Não ofereço uma quitinete, ou mesmo um quarto, antes, um espaço exíguo para guardar o corpo, somente o corpo, e quem sabe alguns sonhos...
Só peço higiene, toda a privacidade que se pode ter em tão pequeno espaço, e amizade.
O modelo da mala a ser compartilhada é uma Youri Spin 78, vermelha (presente usado de um amigo rico), e está situada na seção de Achado e Perdidos da rodoviária São Bartolomeu.
Interessados ligar: XXXXXXXXXX, Falar com Nemo.”






Anderson Dias Cardoso.

Um Pobre Garoto Contorcionista.



Um pobre contorcionista que morava em mala própria, no setor de achados e perdidos da rodoviária de uma obscura cidade no centro do país. Favor gentilmente cedido por um velho guardador de volumes, que também fazia vezes naquela pequena repartição. Coisas de amizade, e caridade.
Acontece que o mancebo flexível, depois de regimes forçados (para não dizer privações), por conta da falta de visita dos circos itinerantes, e outros “bicos” que fazia por ali, resolveu-se por alugar um espaço na mala a outro contorcionista, ou quem quer que se encaixasse no perfil mirrado. Sentia-se meio solitário, e necessitava complementar sua renda.
O anúncio no jornal local foi uma das coisas mais tristes que já li em toda minha vida.






Anderson Dias Cardoso.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uns Microcontos.

1°A Mulher-Elástico, uma vez lasciada, foi abandonada por seu esposo, o Domador-de-Leões, sendo vendida em tiras à uma confecção das redondezas.Dizem que foi debrunhada em vários lindos tapetes
2°Gostava de cuspir pra cima, de ponta-cabeça. Sempre achou mais seguro.
3°Na verdade, a cabeça da Medusa sofreu uma queda imensa de serpentes, depois da quimioterapia.
4°Sempre o confundiam com o Homem invisível, mas, na verdade, era seu primo em segundo grau, o Homem-Transparente.
5°Quando descobriu que era um pássaro, ao invés de humano, arrancou suas penas, triturou seu bico, lixou as granulações de suas pernas, e vestiu seu confortável terno de domingo. No entanto, gostou quando o pessoal da igreja o disse que cantava como um passarinho.
6°Gostava de comprar conservas dos gigantes.Em alguns vidros, podiamos encontrar vacas inteiras boiando entre legumes e a calda.
7°Gostava de bonecos de antimatéria, à despeito de terem um toque que varria planetas.





Anderson Dias Cardoso.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Humanos Sonham Com Ovelhas Elétricas?




Novamente, o pequeno Asimov despertou de sobressalto. Coração palpitante, boca seca e corpo febril.Suas engrenagens e circuitos, ao contrário do que disseram seus pais, ainda não haviam “crescido”.
Palavras como, orgânico, humano e adotado, recém descobertas nos buscadores e também sussurradas por terceiros em seus itinerários quotidianos, tristemente começavam a fazer sentido.






Anderson Dias Cardoso.

quinta-feira, 3 de março de 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

Eu Que Já Nem Sou Mais Eu...



Enquanto conversavam animadamente, prosseguia cortando as unhas dos pés e mãos, e as depositando cuidadosamente num jarro de vidro, já meio cheio delas.Bizarrices sempre despertam curiosidade .
Ela perguntou, meio sem jeito, o que queria dizer aquilo tudo.
-Cantam as lendas que nos dias do Ragnarok, os Gigantes se levantarão em Jotunhein  e construirão, das unhas dos guerreiros mortos em batalha, o navio Naglfar, que os levará ao confronto final com os Asgardianos...Eu sempre me lembro dessas belas estórias enquanto higienizo meu corpo, então guardo dessa matéria prima, e finjo que faço parte daquele universo.
Mas falando sério.Eu as guardo pois são um dos materiais genéticos mais resistentes, e que podem demonstrar boa parte das alterações químicas pelas quais o meu corpo vem passando ao longo do tempo.É uma espécie de registro, que futuramente, após a conclusão do meu curso, irei analisar...
É claro que ela ficou convencida, e até encantada com as explicações.
Quase sempre precisamos de desculpas mirabolantes para disfarçar nossos estranhos hobbies.



Anderson Dias Cardoso.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...