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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
O Homem Invisível...
Não preparara a fórmula da invisibilidade por vaidade, ou por vontade de domínio; mas, por uma incapacidade social e tédio existencial.
Despediu-se da família antes do primeiro gole, e prometeu que do remoto mandaria lembranças, ainda que fossem de mão única!
Quando partiu deixou saturado de afeto aqueles corações que jamais entenderiam que partisse, enamorado da solidão.
E ele se afastou para despir do conforto da roupa enquanto a opacidade do corpo se esmaecia até se tornar grama, carvalho e lua.
Quando, depois de instantes, houve o retorno às ruas de asfalto e o reino das construções de concreto, não se deixou decair de sua dignidade e ética:
Comia das sobras descentes dos restaurantes, banhava-se na gratuidade das águas dos chafarizes, e dormia um sono leve sob qualquer abrigo arbóreo; sendo lhe bastante existir só para si...
Anderson Dias Cardoso.
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