Se o corpo era mau-cheiroso,
carente de asseio, os dentes eram amarelecidos pelo sarro, alguns bem carcomidos,
e o inchaço das gengivas inflamadas apresentavam uma vermelhidão incomum, que
era acessória visual ao hálito nauseabundo que escapava em qualquer sorriso!
Dos fios; muitos se ajuntavam,
ligados pelas secreções sebáceas não higienizadas e alguma fineza de detritos trazidos
pela frescura dos tão comuns ventos da região.
As unhas eram brocadas, os olhos,
remelentos e quando estendia a mão para coletar o produto da piedade alheia
enxugava sem pejo o persistente ranho!
E o povo mirava sempre, e se
espantava com as intenções do magro corpo bamboleante quando se erguia findando
o expediente!
Voltava ao barraco miserável sempre
envergando vestido novo; cópia bem cara do que ditava a novela!
E era assim que se sentia parte
da alegria encenada da mídia...
E era assim que comprara seu
respeito.
Anderson Dias Cardoso.
