sábado, 29 de janeiro de 2011

O Maior Anão do Mundo!

Selecionei uma, entre tantas salas de bate-papo, das não tão populosas pois multidões;
mesmo virtuais, me incomodam.
Digitei aquele nick e procurei por parceiros de prosa mas uns tipos pareciam invisíveis, enquanto outros gritavam e se faziam ouvir; e eu, "O Maior Anão do Mundo" dizia "olás" sem resposta até que a piedade me trouxe uma conversa morna que buscava o básico, sem intimidade.
Um preenchimento de prontuário para um doente social.
E eu disse do nome de minha mãe, minha ocupação, e os livros que li, e a pergunta tabu
veio embutida em uma dúzia de questões, disfarçando se de indiferença:
-Qual é mesmo sua altura?
Demorei pouco para responder; pensando se daria fim ao meu chiste, e à ignorância da
interlocutora:
-1,75.
A resposta arrancou uma interjeição e aqueceu a conversa; e novas linhas revelaram uma
vergonha do próprio preconceito:
-Mas disse que era anão!
-Sim, "O Maior Anão do Mundo"! Tão grande que minha deficiência escapa aos olhos pouco atentos!
Eu ri um pouco, mas logo uma pequena tristeza me tocou o coração, e eu pensei nas
possibilidades dessa realidade:
Ser homem pequeno;
E uma enorme solidão.

Anderson Dias Cardoso. 

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