quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Espelho.


Finalmente foram atendidas as reivindicações de um banheiro público a aquela cidade.
O pequeno luxo foi atração em meio à tanta carência, e foi visitado mesmo por intestinos vazios. Pura curiosidade!
Das atrações as mais apreciadas inicialmente foram as torneiras de pressão e as secadoras elétricas; até descobrirem o espelho.
Numa segunda feira o primeiro visitante necessitado notou números e letras reluzentes contra a superfície reflexiva. Eles descreviam os concursos de várias loterias e seus respectivos resultados e dia.
Ele tomou aquilo como chiste e deixou que algum outro tolo fosse motivo de riso em seu lugar.
Outros muitos não consideravam assim, leram, copiaram e apostaram.
O concurso de valor maior foi o alvo único da tentativa e foram feitos 142 vencedores, todos maravilhados pela magia do ganho fácil.
A grande quantidade de apostadores contemplados garantiu um pequeno prêmio, mas haviam planos em todas as mentes para ganhos mais volumosos.
No dia posterior, quando velhacos madrugadores visitaram os banheiros em busca outros números o local havia sido violado, e o espelho furtado.
Na ânsia de segurança financeira, e na desconfiança e medo de roubo o ladrão apostou sem intermediários e ganhou todos os concursos; mas logo a inveja e ressentimento fizeram se espalhar a notícia de que tais coincidências era dolo; artifício fraudulento de um objeto mágico que lhe ditava os acertos.
Os milhões daquele homem se acumularam e a notícia surtiu efeito gerando descontentamento nos demais apostadores, que na melhor das hipóteses dividiam o prêmio com alguém que tinha informações privilegiadas.
As loterias não eram mais dignas de respeito!
 Caixa Econômica e políticos que se sentiam prejudicados foram às mídias para desmentir o absurdo supersticioso que apontava um único ganhador infalível, que supostamente se utilizava de meios mágicos.
  Tal anuncio foi arrematado à apresentação de ganhadores diversos àquele e à uma operação secreta que buscava o responsável pelo desarranjo inconveniente num processo tão lucrativo como jogos de azar.
Tanto o crânio quanto o espelho foram partidos, findando aquela estranha problemática.
A polpuda poupança passou à contas menos dignas, de trapaceiros mais eficientes e as loterias continuaram em sua normalidade, sendo sonho de pobres e fortuna de ricos.

Anderson Dias Cardoso.
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