domingo, 7 de agosto de 2011

Astronautas,Desejos e Estrelas Cadentes.

Pregos, tábuas, rodas de bicicleta para um constructo quase onírico.
Atava tudo muito rente e enfeitava as estruturas com brilhos metálicos de latas e adesivos.
As asas eram firmes e o corpo robusto da nave acomodava um banco, cantil, biscoitos e brinquedos. Um capacete ciclístico cobria sempre o rosto e desalinhava as madeixas.
Não havia sofisticação ou dimensões de um foguete real, mas a visão infantil transformava as formas em algo mais que suficiente.
Naquele dia pretendia, ao menos visitar a lua, marte, o sol e um outro planeta circundado de anéis, ao qual nunca se lembrava o nome.
Então laborou mais, e mais rápido e encerrou a cansativa empreitada sob fracas luzes incandescentes.
O céu parecia ainda mais esplêndido e foi mirando absorto sua grandeza que viu  uma estrela cadente marcar a noite, e isso foi oportunidade para o desejo.
Cerrou os olhos, pediu, e escapou um sorriso.
O capacete foi posto e ajustado e ele se lançou célere ao banco plástico atando com destreza o cinto de couro.
As tábuas rangeram ao serem alçadas naquela noite calma, e não houve aquele temor inicial, antes, uma excitação crescente ao ver se distanciar sua casa, quadra, bairro...
O foguete artesanal manteve certa coesão enquanto ganhava progressivamente velocidade e altitude, porém o atrito, à certa altura, começou a agredir as carnes e romper tecidos.
A criança chorou seu desespero, não podendo ver incendiar a nave pois suas pálpebras tentavam resguardar os olhos do vento agressivo.
Os pulmões logo não conseguiam alcançar oxigênio, e ele desmaiou antes de se desfazer na estratosfera, em um brilho repentino.
No solo milhares de olhos o viram como um cometa...
Outros mil pedidos foram feitos.

Anderson Dias Cardoso.
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