domingo, 15 de janeiro de 2012

A Diferença de Alguns.

Quando rompeu a casca; ainda, quando se emplumaram as asas não havia se alçado do chão alguma vez.
Esticava-se ao sol, comia e dormia no ninho baixo à que se apegava com carinho mediano.
Era filhote graúdo, de asas fortes e exercitadas, mas insistia que sua vocação era rente à terra.
-Tens medo dos ventos, ou da altura!- Tripudiavam tanto emplumados quanto os de mais idade.
-Absolutamente!-A resposta nunca merecia mais que poucas palavras, não tencionava convencer tanta “gente”.
-É por protesto!- Arriscavam outros, notando o desprezo por discussões- É típico dos que se querem fazer importantes por esquisitices, ou guarda de razões absurdas!
-Vida tal qual a minha não requer demandas, ou mesmo atenção forçada...
-És profeta!- O mistério sempre convenceu muitos, por seu próprio silêncio.
-Tanto quanto papagaios e corvos!
-Não tens medo dos predadores terrestres?
-E tu, não temes os que voam contigo?
E este continuava em solo, ciscando o pó, devorando a fartura viva das cascas e formigueiros.
Foi ave jovem, e depois velha; engordou-se ou secou suas carnes de acordo com as estações, teve filhos de aves volantes, e amizades aos que o permitiam...
Uns dizem que depois de anos se tornou em cachorro do mato, outros gritam que fora desde sempre um cágado dissimulado, mas destas histórias nunca foram aferidas suas verdades...

Anderson Dias Cardoso.
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