quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Orgulho!

E se houveram outros ambulantes; de histórias tristes e apelos persuasivos a partilharmos de suas misérias todos nós os ignorávamos, como peças conhecidas de dramas hiperbólicos e olhos secos.
O espaço exíguo se assomava às irritações do dia trabalhado e qualquer mentira era pouco tolerada.
Muitas moedas saltavam dos bolsos, mas estas compravam sossego ao invés de piedade; e eu, versado  em comércios simbólicos me atirava(através de meus olhos) para fora do ônibus acompanhando uma ou outra vida até que se desfizesse nos mistérios de seus próprios caminhos.
Ele entrou, assim como todos outros, dizendo de suas dificuldades e filhos, e do seu monólogo eu nem notei sua pena, ou dei crédito ao seu discurso...
O coração já doía pouco quando era requisitado,mas quando me deixou o envelope com adesivos e caneta perfumada para que lhe ajudasse no orçamento me constrangi com a coação e saquei a carteira para ver do que dispunha.
O dinheiro não chegou ao preço então depositei a moeda graúda junto ao que me havia ofertado, e devolvi o pacotinho, com o rosto virado, esperando recuperar meu relativo silêncio.
A voz que respondeu veio agressiva, e o que foi recebido o foi com pouca educação:
-Eu não quero nada de graça!-O homem rasgou o lacre do conjunto e me entregou a caneta, partindo para novas vendas.
Não me lembro de me orgulhar tanto de alguém à quem não conheci!


Anderson Dias Cardoso.
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