terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Mágico?

Na infância, quando o parque era um lugar mágico, e o meu contato com o dinheiro se
resumia às coleções de poucas moedas me encontrei entre duas surpresas:Um passeio no
primeiro, e um pouco mais do segundo!
Naquele dia minha mãe deitou uma nota nova em minha mão estendida; eram cinco mil cruzeiros; uma
pequena fortuna para um garoto pobre; um tesouro a ser preservado por algumas semanas!
O passeio;  gostoso nos moldes proletariado, com ônibus, catraca, balas e balanços, num
parque que se dividia entre os novos brinquedos elétricos, que se agitavam velozes
brilhando suas luzes,  arrancando sorrisos e enchendo os peitos de singelas alegrias; e os tradicionais, tanto lúdicos quanto possível, um paraíso de altos e baixos de
gangorras, travessias de pontes e balanços de pneu!
E entre gritos, e sorrisos a energia quase infinita de meu corpo infantil se dissipava, gasta em traquinagens, e no fim da tarde a cantina exalou seus cheiros e fomos atraídos para o balcão das delícias,
das quais pedi um cachorro quente e logo saquei (confesso que com uma certa pena) aquela
nota nova e a estendi, pagando meu consumo.
Minha mãe se comoveu, recuou minha mão e acertou minha conta e minha alegria foi
completa; guardei meu tesouro no bolso limpei os lábios, vermelhos de ketchup, embolei o
guardanapo e, ainda sem nenhuma noção ecológica o atirei no canteiro verdíssimo!
No meu retorno uma verborragia entusiasmada desenhou meu passeio à imaginação dos que
não me acompanharam, e me emocionava descrever os brinquedos, sentimentos, e as cores do
dia, e no ápice do meu delírio arranquei orgulhoso minha nota de cinco mil cruzeiros, a
qual minha mãe me impedira de gastar, e a chacoalhei orgulhoso, então, surpreso notei que
a cédula havia se transformado naquele guardanapo sujo de ketchup...


Anderson Dias Cardoso. 
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