terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Feiura Dissecada.

Pintaram a boca à feiura!Lhe coloriram os olhos e lhe tiraram o buço,coraram lhe as maçãs
do rosto e alisaram suas madeixas!
Os dentes foram clareados, desentortados e foi retirado todo o sarro!A pele se esticou e
os seios, as coxas, o ventre foram moldados à bisturi!
De inicio a intenção era sua morte,
mas poucos casos, bolsos fartos lograram êxito, mas no geral a escondiam, meio
envergonhados sob panos e cosméticos.
A Indústria refestelava, e gritava "FEIA", e quando lhe vinham em choro estendia-lhes um
caro estojo, lhes calçava salto alto, e num vestido de nobre corte rompiam a crisálida,
pensando ser borboletas!
Assim voavam umas borboletas, e nasciam outros tantos feios, acusando a genética,
praguejando contra a sorte, aborrecendo seus genitores; não conformados à falta de
simetria, ou formosura...
Sem saber sendo um tempero estético, o contrapeso que evita a saturação do belo,
resguardando da banalidade e monotonia!!!
Revoltam-se, deprimem-se, porém continuam a nascer!
Mas eis que vi; a aberração das aberrações:
Um feio conformado; alegre!
Uma feiura que festeja o sabor visual da beleza de outros, e transmuta-se, ele mesmo num
desses belos.E me olhei no espelho, e minha feiura simpática me sorria...
E me amei ainda mais!!!

Anderson Dias Cardoso. 
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