terça-feira, 3 de novembro de 2015

Não Falamos de Passividade.



Contra a ignorância; o silêncio, o bom senso e a educação. Se isso não converte à razão os tais tolos; atinge aos confusos e pessoas de bem ao seu derredor.
Estes sim lhe ouvirão e o respeitarão.
Daí então serás um exército, e um dia, quem sabe, haverá paz.





Anderson Dias Cardoso.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Esse Teu Filho.



Criança linda. Perfeita, tanto quanto a grande soma de dinheiro e a imaginação do pai “coruja” pôde idealizar e bancar. Simetria, cor e eficiência dos olhos, tônus muscular, envergadura, peso final em cada etapa da vida, etc., tudo garimpado, modificado e realçado das cadeias de DNA herdadas de seus antepassados.
Uma criança de alguns milhões, como se dizia na vizinhança!
Na casa ao lado, vizinho novo. Aparentemente de tão bom gosto e com tantos fundos quanto ele mesmo. Sua criança saltou do importado para brincar com os garotos da vizinhança. Era algo inumano, perfeito de tal forma que bem podia ser um anjo!
Seu relacionamento com seu “investimento” nunca mais fora o mesmo, e ele andava amuado e agressivo com todos, especialmente, o pessoal daquela quadra.
Descobriu que o dinheiro empregado na gestação do filho fora o mesmo; mas aquele pai não confiara em suas capacidades e gostos. Havia terceirizado o projeto da criança à pessoas diplomadas.




Anderson Dias Cardoso.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Homem.

-Teoclébio, se fosse Deus, eu teria criado o mundo completamente diferente!Seria assim, assim e assado!
-Interessante...
-E você, nunca pensou o que faria se fosse Deus?
-Não.Eu não penso muito sobre isse tipo de coisas Palíbio!Gosto de coisas mais práticas e produtivas...
-Ah,cara!Vamos lá!Exercita um pouquinho dessa sua critividade, que é pra ela não enferrujar!Me diz o que faria!
-Eu faria tudo mesmo jeito, meu amigo,assim como fiz da primeira vez.Agora, se me perdoa, eu tenho todo um universo para cuidar.A gente se fala nas suas orações- e o homem desapareceu alí, diante de seus olhos.






Anderson Dias Cardoso.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Escolhas.

...E todos nós escolhemos os absurdos em que iremos acreditar, porque, da loucura não há quem escape!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Respostas.

 
Nesses tempos de contradições, relativismos, quebras de paradigmas e diversos etecéteras. 

Informações na velocidade da luz. Um fluxo e refluxo insuportável a qualquer assimilação e reflexão naturais.
 
O homem senta-se confuso, vergado sob o peso da montanha de dados do dia.
 
Vozes que tentavam o ajudar diziam que ele deveria relaxar, abandonar tudo e seguir seu próprio coração.
 
Pedro era transplantado...




Anderson Dias Cardoso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Dons.


Insistia que era invisível, e o pessoal de sua comunidade lhe troçava das mais maldosas formas possíveis. Na realidade, ele desenvolvera  sim a tal capacidade, logo após aquela trovoada que pareceu voz de gente, assim como todo o pessoal das redondezas, adquiriu o poder de lhe enxergar.
De tanto passar por ridículo, foi se embora para a cidade vizinha, onde realmente não seria notado. Eles sentiram sua falta e o buscaram por longos dias; mas ele agora era fantasma, e ninguém nunca ouvira falar naquele estrangeiro.





Anderson Dias Cardoso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Salvando o Mundo.



Era engraçado que aquele Nobel da Paz houvesse sido dado àquele garoto de nome estranho, dum país desconhecido, que, por conta de sua família disfuncional, cujo protagonista; o pai alcoólatra, que gritava à toda vizinhança enquanto surrava diariamente a mãe e os irmãos, acabou "mudando o mundo"...?  Na história, contada pela revista, era dito que o menino havia se tornado irritadiço quanto a barulhos e vozes ásperas. Preferia relacionamentos virtuais, os quais mantinha sem câmeras, e com microfone e caixas de som desligados.
Outra peculiaridade (e a causa direta da premiação) era a compulsão em se intrometer em conversas alheias, em redes sociais, para que, com opiniões bem sensatas, dissuadisse os costumeiros contendores, e restabelecesse a harmonia nas mais diversas discussões.
Dizia-se que numas dessas tantas conversas, evitou um conflito entre árabes e judeus na Faixa de Gaza, conciliou dois presidentes de potências mundiais (confirmada num print autenticado em cartório, e ratificado pelas autoridades); com alguns tuítes fez o ditadorzinho da Coréia do Norte se emocionar e reconsiderar jogar aos cães mais uma dúzia de parentes acusados de traição (boatos afirmavam que o pobre tirano até lhe mandou um emoticom com carinha de choro)... Houveram outras destas;menos espetaculares, é claro, mas ainda assim, diminuíram consideravelmente as pressões dessas relações delicadas de amizades imateriais, competitivas, vaidosas e baseadas em sabedoria emprestada da Wikipédia.
Particularmente eu achava aquilo tudo uma bela de uma jogada de marketing para promover aqueles meios de comunicação, uma daquelas histórias forjadas para vender notícia ou uma campanha velada dos governos mundiais exaltando esse tipo de conduta (o que seria bem sensato, já que diminuiria seus com segurança particular, evitaria a depredação do patrimônio, manteria as massas afastadas fisicamente dos centros de poder, etc.)
Não era assim que se salvava o mundo. Se esse reforço da imagem de “militância de cadeira” se espalhasse, estaríamos perdidos!






Anderson Dias Cardoso.

sábado, 3 de outubro de 2015

Congelando Ideias.



Dizem que idéias são as ligações efêmeras que constroem sólidas pontes para o futuro (ao menos, eu digo). Não aquela.
A primeira vez que um pensamento, não substancializado em qualquer tipo de projeto, era capturado.  A primeira vez em que esse tipo de material, totalmente abstrato, sobreviveria ao seu próprio dono. Um pedaço da intimidade e da personalidade de alguém, guardada à posteridade!
O experimento havia sido discreto, mas agora as câmeras inundavam o saguão da universidade. Havia repórteres de todas as partes do mundo, se acomodando como possível. Ambiente abafado, estalos de copos plásticos , mistura de perfumes, suor e mal-hálito. A lâmina de silício-28 logo seria apresentada.
Finalmente chegaram. Engenheiros da computação,bioengenheiros, neurologistas, psiquiatras, físicos, lingüistas...A equipe era imensa, e seus apetrechos e explicações os seguiam de perto.
Ah!A maravilha da expectativa!Um outro avanço tecnológico que certamente transformaria a mente humana num universo mais acessível e compartilhável. Talvez depois daquele dia nós começássemos verdadeiramente a nos entender!
As luzes foram apagadas, o holograma piscou intermitente até que se fixou num facho denso e cristalino. O que teria pensado aquele garoto-teste? Muitos apostavam no amor, outros, em algo que trouxesse uma mensagem positiva para ser ecoada através dos dias, e eu não sabia o que achar!
A imagem veio sendo formada. Seu canto faiscou cores discretas, e a borda direita foi se concentrando em um tom castanho escuro. Fundo branco; um borrão avermelhado e um som característico de borbulhar surgiam da aparelhagem de som previamente escondida naquele lugar. Isso não devia estar acontecendo!
A figura estava completa, porém tremulante. Se estabilizou, e expôs todas seus espectros e formas.
-Uma garrafa de Coca-Cola? Vocês devem estar brincando!- foi o que pensou a maioria.
Havia muito tempo que o que movia o mundo não era a ciência, mas a propaganda.





Anderson Dias Cardoso.


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