quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Salvando o Mundo.



Era engraçado que aquele Nobel da Paz houvesse sido dado àquele garoto de nome estranho, dum país desconhecido, que, por conta de sua família disfuncional, cujo protagonista; o pai alcoólatra, que gritava à toda vizinhança enquanto surrava diariamente a mãe e os irmãos, acabou "mudando o mundo"...?  Na história, contada pela revista, era dito que o menino havia se tornado irritadiço quanto a barulhos e vozes ásperas. Preferia relacionamentos virtuais, os quais mantinha sem câmeras, e com microfone e caixas de som desligados.
Outra peculiaridade (e a causa direta da premiação) era a compulsão em se intrometer em conversas alheias, em redes sociais, para que, com opiniões bem sensatas, dissuadisse os costumeiros contendores, e restabelecesse a harmonia nas mais diversas discussões.
Dizia-se que numas dessas tantas conversas, evitou um conflito entre árabes e judeus na Faixa de Gaza, conciliou dois presidentes de potências mundiais (confirmada num print autenticado em cartório, e ratificado pelas autoridades); com alguns tuítes fez o ditadorzinho da Coréia do Norte se emocionar e reconsiderar jogar aos cães mais uma dúzia de parentes acusados de traição (boatos afirmavam que o pobre tirano até lhe mandou um emoticom com carinha de choro)... Houveram outras destas;menos espetaculares, é claro, mas ainda assim, diminuíram consideravelmente as pressões dessas relações delicadas de amizades imateriais, competitivas, vaidosas e baseadas em sabedoria emprestada da Wikipédia.
Particularmente eu achava aquilo tudo uma bela de uma jogada de marketing para promover aqueles meios de comunicação, uma daquelas histórias forjadas para vender notícia ou uma campanha velada dos governos mundiais exaltando esse tipo de conduta (o que seria bem sensato, já que diminuiria seus com segurança particular, evitaria a depredação do patrimônio, manteria as massas afastadas fisicamente dos centros de poder, etc.)
Não era assim que se salvava o mundo. Se esse reforço da imagem de “militância de cadeira” se espalhasse, estaríamos perdidos!






Anderson Dias Cardoso.
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