domingo, 10 de junho de 2012

A Dignidade Deve Ser Mantida.


Não concordava, ou se adaptava ao culto do animal sem porte, de orelhas demasiadamente longas e que suportava sobre si as cargas não aceitas pela dignidade, ou potência das outras bestas.
Debatia entre seus pares as associações feitas ao seu povo como o “povo dos jegues”, e ressentia-se muito das vergonhosas apresentações e “rallys”, que eram televisionadas, com toda cena de ridículo e apresentação de hematomas e contusões.
Nascera nordestino amargo, e lutara desde sua infância para dissociar sua terra do animal sem propaganda digna e, em um de seus projetos importou outro animal de terras secas, muito mais apresentáveis e sisudas, e desfilou sobre os paralelepípedos empoeirados a monstruosidade castanha que vivia antes em outros desertos.
-Nunca se viu propagandas de jegues em produtos de renome, mas sim em infames aguardentes e outros preparados, ou em apelidos e brincadeiras de má impressão!
-Olhem, meus conterrâneos como se alteia este cupim!Que pelagem respeitosa e que pernas fortíssimas! Era à este animal gracioso que nosso povo deveria ser associado!
Foi daí que se desenvolveu campanhas de promoção, e importações de espécimes para  povoar o cenário, e refazer a imagem do povo aos olhos preconceituosos de outros estados!
A praça tornou-se em local de comício, e, no ajuntamento decidiam seu futuro iconográfico.
-Mudaremos a bandeira municipal nesta figura, logo propagaremos nossa nova identidade em todo nosso território!
-Cigarros, bebidas finas, bolsas, e outros produtos dignos já figuram nosso emblema, e agora a representação de nossas virtudes! Seremos conhecidos como o povo do camelo!
Então, uma voz de transição das fases de maturidade sussurrou em meio ao burburinho:
-Não é camelo, é dromedário! Camelo tem duas corcovas!
A multidão se dispersou encabulada, um colegial havia desfeito todo um sonho de revolução de paradigmas!

Anderson Dias Cardoso.
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