domingo, 3 de junho de 2012

Ele Era Apenas Um Lobisomem Juvenil!

Já havia notado uma ou outra sensibilidade além da pouca disposição relacional de que sofria e, ponderando algumas longas noites insones se constatou menino lobo!
Para os selvagens a vida metropolitana oferecia dificultosos entretenimentos aos marginais, e ele só podia salivar diante dos corpos carnudos que desfilavam despreocupados em suas rotinas de um tipo mais polido de predatismo, que se envolviam em rituais mais elaborados, promoções e ascendências econômicas de vulto!
Na turbulência dos dias e compromissos o apuro do olfato se mesclava ao péssimo gosto das fragrâncias para se tornar em tormento, e o que diria da infernal barulheira articulada por todos os movimentos do progresso municipal?
O tal jovem sofreu!
Sofreu seu bocado e um pouco à mais até parir por completo sua verdadeira identidade, e em seus últimos dias humanos comprava animais para sua caça indoor, e já despeitava suspeitas por um amor tão intenso e uma troca tão constante de animais de estimação, e quando deixava o dia, trocava a comichão do terno sintético pela respeitosa pelagem castanha de um antepassado!
Uivava suas poesias para o astro noturno, sentindo se à vontade com os instintos aflorantes de sua conversão.
Num daqueles dias decidiu-se por ser lobo inteiro!
Viajou o itinerário mais conveniente e temperado para se integrar às matas e à família que o receberia como filho pródigo, e persistiu um caminho de busca local por seus pares, até que encontrasse a alcatéia pulverizada em uma emboscada à uma preza astuta, e então, o lobo adolescente se apresentou com seus sons e trejeitos aos que saltavam das sombras.
A suposta família não poupou o que não era dos seus, e entre os dentes dos que achavam parentes descobriu:
Era apenas um, de tantos deslocados!

Anderson Dias Cardoso.

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