domingo, 5 de fevereiro de 2012

Lunáticos.

...E o homem continuava seus disparates, segurando a sacolinha encharcada como suor dos pastéis:
-O mundo acabou à três dias, e somos poeira de estrelas vagando pelo vácuo, procurando por zonas gravitacionais intensas para nos reagruparmos e formarmos novas ordens cósmicas.
-Uhum- O “sócio “de poltrona notou que contrariar alterava a harmonia da conversa, e então, pagava pelas considerações com as menores porções de conversa possíveis.
-A entropia disse que chegaria, ninguém acreditou e olha ela operando com seus desarranjos até que tudo se volte à grande massa que ira ser o recomeço de outras realidades muito semelhantes à estas!
-Eu sei! Foi a resposta apática de seu triste adjacente- Sou uma super-nova, não lhe disse!
-Você!!? No máximo, uma nebulosa, ou pulsar!Mas com tamanho desarranjo universal, aposto no segundo!
-Posso ser então um buraco negro, se preferir!
-Olha só! Não lhe disse que me tomava por maluco!?- A entidade cosmopsicodélica se ajeitou em seu lugar, e espremeu nos dedos o embrulho, fazendo brilhar os dedos finos.
-De forma alguma! Apesar de vivos, poucos astros têm consciência perfeita de si mesmo, ou de suas órbitas!
-Discordo, pois conhecia muito bem minhas rotas!
- Eras o sol!
-Não se expresse com tanta voz, não atraiamos a inveja de outras forças... - Segredou o maluco arrancando do pacote um viscoso salgado, e oferecendo o restante ao companheiro de diálogo, que recusou polidamente.
-Nada mais importa; eis que somos um buraco negro à tragar um restinho de matéria de péssimo sabor, e uma suposta nebulosa debatendo em encontro casual à respeito da irrelevância do já consumado destino de todas as existências.
-Aquele não é seu ponto?
-Ah!Muitíssimo obrigado!Quase perco o endereço!
O estranho sol humano desceu do ônibus, e à distancia pareceu muito mais uma banal criatura humana.

Anderson Dias Cardoso.
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