quinta-feira, 17 de março de 2011

Terrores Noturnos.


Houve tempos onde as camas não eram divididas a não ser no amor, e os sonos eram mais tranqüilos, as colunas não se deformavam tanto e os dias passavam menos extenuantes e irritadiços.A Revolução Industrial espremeu nas cidades as gentes e os espaços se tornaram raros e os quartos acolheram dois ao invés de um.
Hoje, o que era praticidade tornou se romantismo, ou quase; pois existe o ressonar, cutucões e flátulos, que no dia seguinte produzem no mínimo protestos e talvez a separação!
Atormentei muitíssimo meu matrimônio com estes mesmos sons, movimentos e aromas até que o conformismo  sossegou uma esposa raivosa e a noite passou a ser dormida por inteira.
Acostumado a um descanso silencioso me vi espantado por uma conversa empolgada às 3:00 da madrugada!
Ela sorria, respondia a uma amiga desconhecida para mim e dizia: "Depois eu te conto!", e sorria mais alto, e meu coração tentava escapar do peito! O monólogo durou alguns minutos e findo, meu sono demorou a me convencer novamente!
Muitas vezes me espantei com minha esposa; outras beirei a morte com aquela voz alta que me fazia um espectador de um diálogo estranho, com uma interlocutora abstrata!



Anderson Dias Cardoso.
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