domingo, 11 de agosto de 2013

Cuidando De Si.



Voltara, à despeito de sua ojeriza por viagens temporais; e dobrou cinco, dos oito apertados corredores da instituição, procurando encontrar a pequena despensa, que à esta altura já havia de ter sido improvisada em outro claustro.
No caminho havia terra vermelha salpicada pelo chão, não retida pelos carpetes da entrada, e que se formava em lama quando encontrava alguma das tantas infiltrações.
O ambiente alternava em luz e sombra... Muito mais sombras; pois que não se costumava substituir lâmpadas à não ser quando qualquer alma caridosa se incomodava por seus tropeços, e trazia um bulbo de casa!
Caminhava de cabeça baixa, captando os odores enjoativos de óleo reutilizado até a insalubridade, temperos fortes para disfarçar a putridão das sobras reaproveitadas, o mofo das roupas que pendiam sobre varais improvisados por todas as partes, ou as nuances de transpiração nas peças repetidamente usadas, a urina dos colchões ainda não volatilizada, o hálito de quem às vezes o parava tentando questionar...
Houve alguns, aos quais teve que afastar com empurrões... Reconhecia a maioria deles, sem contudo apreciar quem quer que fosse.
E foi quando se encontrou ali amuado, naquele metro onde receberia sua primeira repreensão, percebeu a satisfação dos que salvam alguma vida!
Sabia que se se deixasse ali sofreria inúmeros abusos, espancamentos e humilhação.
Sorriu à si mesmo, mesmo se encontrando em meio às lágrimas; e se tomou em seus braços, levando se pra si como filho adotivo!
Transgrediu com documentos falsificados, e subverteu a própria história...
Não sabia o que seria de si à partir daquele instante; mas nunca mais passaria por aquilo que haveria de passar...



Anderson Dias Cardoso.

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