domingo, 7 de outubro de 2012

Ironias...


Se o corpo era mau-cheiroso, carente de asseio, os dentes eram amarelecidos pelo sarro, alguns bem carcomidos, e o inchaço das gengivas inflamadas apresentavam uma vermelhidão incomum, que era acessória visual ao hálito nauseabundo que escapava em qualquer sorriso!
Dos fios; muitos se ajuntavam, ligados pelas secreções sebáceas não higienizadas e alguma fineza de detritos trazidos pela frescura dos tão comuns ventos da região.
As unhas eram brocadas, os olhos, remelentos e quando estendia a mão para coletar o produto da piedade alheia enxugava sem pejo o persistente ranho!
E o povo mirava sempre, e se espantava com as intenções do magro corpo bamboleante quando se erguia findando o expediente!
Voltava ao barraco miserável sempre envergando vestido novo; cópia bem cara do que ditava a novela!
E era assim que se sentia parte da alegria encenada da mídia...
E era assim que comprara seu respeito. 


Anderson Dias Cardoso.
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