domingo, 30 de setembro de 2012

Papo De Cobra.


Indagou à serpente que jazia à beira do caminho se queria ser couro para recobrir suas botas; mas ela respondeu que esperasse sua muda, ou, aguardasse sua morte.
Voltou-se com outra questão, e ela disse que não perdesse tempo com sintéticos, pois a qualidade do requisitado valeria a expectativa.
Ele  retrucou que lhe aguardava festas, era necessário pressa; e aquelas desejadas escamas brilhavam o provável sucesso da impressão desejada, da força de caráter e aura de autoridade deduzida dos que vestiam bem.
A potência do argumento pareceu até lisonjear a serpente e, em sua comoção, pediu prazo para rastejar em busca de uma melhor proposta!
Quando voltou, trouxe uma vistosa irmã, à qual percebeu que lha  entregava para abate.
Esmagou-lhe  a cabeça chata às pauladas, enquanto esta ainda o imaginava um lanche.
Esfolou  confessadamente desconfiado a parceira de espécie da criatura atenta; a, mesma que lhe demonstrara solidariedade, se apossou do tegumento vistoso, e largou a carcaça despida para o consumo de sua igual!
Não houve qualquer escrúpulo na boca que tragava a morta; o estomago deixaria de reclamar substância, e haveria menor concorrência nas próximas caçadas.
E ele se foi, levando a pesada vaidade nos braços;
Ela permaneceu; ventre inchado de satisfação...
Ambos sentiam-se felizes.

Anderson Dias Cardoso.
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