quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma Barganha.

E eis que o Demônio lhe anotava os pedidos na rota caderneta.
-Confere: um quarto com banheira, um sabonete, um pente resistente para desemaranhar as madeixas, dois barbeadores e uma garrafa de aguardente... Quase se desculpava por pedir tanto.
-Um papel e caneta, para algum recado?
-Para que?Devo causar mais ainda mais dor e vergonha?
As palmas o levaram para o canto desejado, e seu ritual de limpeza seguiu-se à uma última embriagues, e o corte fino da navalha fez deixar do corpo todo sangue.
-As barganhas são mais excitantes que acidentes! A trapaça nos cai melhor do que a violência- segredou alguma voz nas sombras.
-E são as sepulturas que me acolhem os maiores tesouros; debochou um outro escuro, ao pé da cova recém cavada.

Anderson Dias Cardoso.
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