segunda-feira, 5 de março de 2012

Amores Como Latas de Ervilhas.


Havia trocado seu amor por uma lata de ervilhas, mas a desfeita não foi tal qual a de Esaú, onde ao menos havia fome; antes, foi despeito de desapego!
Postou o troféu da indiferença numa prateleira de condimentos, o que dizia muito por não cozinhar, e lá ela esteve, como um ajuntamento de poeira e tecidos aracnídeos; contas verdes de sabor vulgar e valor deveras acessível.
Era o amor de Maria, ou Ana... Talvez Patrícia, ou Carmem; mas sentimentos não se escrevem em rótulos, e, quando compramos, toda marca tem o mesmo nome.
Num dia de festa lhe falhou a despensa, e se  pesou o peito um pouco, logo imergiu seu sentir num caldo; e o serviu, com coração leve à uns poucos ventres amigos!
Anderson Dias Cardoso.
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