sábado, 25 de fevereiro de 2012

Meias Verdades.


E dizia-se do velho ter suas carnes vestindo um esqueleto de ouro, além de seu dom de profecias, mas sua aparência e sabedoria em nada causavam espanto, e agora, depois de tanto tempo de seus êxitos poucos transpunham tantos espaços para alguma consulta.
O homem, encolhido em sua fragilidade dizia dos dias, dos segredos, e dos mistérios à quem se dispusesse ouvir.
-Terás um novo amor!
-Um filho, não uma filha!
-Um grande amigo te trai!
-Serás próspero em tua empreitada!
E então, toda profecia caía por terra, e toda visão terminava em engano...
Alguns ainda criam, e, dos que houve desprezo uma multidão rumou para desfazer o “tropeço”.
Foram armados de paus e pedras, e pediram prova da veracidade de suas previsões, mas o homenzinho falhou em todas tentativas, e a multidão se lançou à violência e quebrou, e rasgou sua miudeza em pedaços.
Ouve um instante de silêncio e espanto!
Se as profecias eram falhas, ao menos os ossos eram realmente áureos!

Anderson Dias Cardoso.

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