quarta-feira, 21 de março de 2012

Um Veganista!


- Convicções são vendidas por bem pouco e a consciência se acomodou à carroceria, embarcada entre porcos que encaminho ao abate.
-O salário ao menos devia oferecer dignidade, ou compensar o valor de meu diploma de biólogo, e uma vida inteira de militância...
-O sol aquece o estrume, e o vento sopra às narinas seu incômodo, mas o que entristece é a pouca, e tristonha movimentação destes animais obesos- Resmungava consigo mesmo.
-Devia deixar este maldito emprego!- Argumentei com o mais próximo, e me consolei com o olhar de “quem” entende, de uma raça de organismos de inteligência privilegiada, mas me lembrei que logo seu couro seria estendido sobre algum solado, e seu corpo forraria algum prato calórico.
O monólogo não se transforma em diálogo quando um interlocutor grunhe.
- Maldito veganista, levando sua própria ideologia ao matadouro!- Imaginou a desaprovação que viria, caso houvesse um fio de consciência no condenado.
Retirou uma cenoura do bolso, e agradeceu à Deus por ter o que por à mesa, e também, por não já não existirem  dinossauros.

Anderson Dias Cardoso.
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