quarta-feira, 15 de junho de 2011

AGata.

A cor da felina era negra, olhos verdes comuns e pêlo denso. Era quase objeto de mau-agouro, e assim gostava de pensar. Afastava supersticiosos.
O nome(Zoe); ao contrário, era retrato da natureza  agitada e vívida da criatura, e a este eu traduzia a quem inquirisse com o significado tétrico que viesse à mente garantindo uma aura mística negativa que levava às olhadelas desconfiadas, e pensamentos assustados.
Isso me divertia! Sadismo de quem não consegue causar um mal verdadeiro!
Entre brinquedo e hobbies era a gata que me divertia, e realmente a devotava carinho paterno e lha ornava com laços rubros e placas douradas e alimentava com finezas gastronômicas, que mais eram devoradas por formigas que propriamente pela gata.
A casa era parque aberto, sem restrições espaciais para os movimentos impulsivos do animal, porém a cama era preferida ao sofá, mas o colo morno era ainda mais convidativo.
Na noite me sequei após o desejado banho, e a toalha felpuda era o pelo do meu corpo liso e na caminhada para o quarto lá estava o bicho se enroscando em meus passos, com um balé ronronante que causava cócegas e risos.
Sentei-me na maciez do colchão, vestindo o que me faltava do vestuário; me distrai ligando em qualquer canal da TV. Zoe me acompanhou por alguns cliques, mas logo que a fome me arranhou o estômago interrompi seu divertimento desligando o aparelho, e observando sua reação.
Ela olhava a caixa muda, eu a observava pelo reflexo... Ela saltou  para a tela e sumiu no absurdo!
Houve o choque e choro. O medo veio muito depois, quando meus relacionamentos disseram agora entender a causa das tigelas sempre cheias e coisas para gatos...

 Anderson Dias Cardoso.
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