domingo, 19 de junho de 2011

A Prisão Branca.

Acordou de um sono farto em um chão macio num ambiente iluminado por luz branquíssima.
A surpresa preguiçosa o levou perceber-se em um claustro, e este se levantou como num sonho buscando no mínimo por uma saída; não encontrando  experimentou a espessura das paredes e as notou macias, porém aparentemente intransponíveis.
Totalmente desperto e irritado pôs se a procurar câmeras, microfones e esbravejou exigindo sua retirada daquela situação vexatória; mas nem som, nem movimento!
Seriam seus colegas do escritório com seus chistes jocosos, sua esposa, ou algum inimigo não declarado?
Continuou em seus esforços por mal calculadas duas horas.
Silêncio e calma.
A mente aquietou-se e recostado em um canto começou a notar o cubículo, com sua luz alva não ofuscante que era irradiada de todas as direções, sem, contudo destacar sua fonte. Provavelmente uma nova tecnologia.
A roupa branca que não vestia antes se fundia à diminuta paisagem e causava sensações angustiosas, e exausto de se debater contra um ambiente que nada dizia se rendeu novamente a um sono pesado, no chão nu.
A vigília monótona e os sonhos brancos começaram então a se tornar rotina.
O tempo passou a ser incontável, e as lembranças passaram a ser um difícil recurso, e era necessário distrações para não enlouquecer naquele cubo branco, então cantava as canções que conhecia. Não eram muitas e a voz cacofônica o irritava em demasia.
Mediu o recinto em palmos e acreditou ter 3X3.
Exercitou-se andando por aquele espaço, e realizando séries que manteriam sua disposição, saúde, e postura.
Notou que não havia fome.
O “receptáculo” hermético impressionantemente fazia da respiração coisa dispensável.
Sem dia ou noite, ou qualquer estimulo sensorial, e diminuída suas angústias já não se lembrava de que havia sido contador.
Haviam esposa e filhos?
 Os olhos piscavam em cadência cada vez mais espaçada, e a pele gradativamente foi se alvejando, até que não podia ser discernido em meio à brancura.
Vez enquando o coração pulsava, e todo o quarto vibrava...
Já não havia distinção...

 Anderson Dias Cardoso.
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