domingo, 22 de setembro de 2013

Singularmente Plural.


Criatura singular que era, cercada de vazio e solidão, resolveu-se por se multiplicar por miríades, e se dividir por tantas dimensões quanto tais corpos, e ignorar sua própria existência em cada indivíduo para obter de si mesmo o convívio que desejou experimentar!
Juntava assim num continuum esses fragmentos pessoais, e imergia numa interação dramática onde ela própria era o algoz, redentor e espectador de si mesma!
Era ainda toda matéria, e anti-matéria;
Toda vida, e sua morte;
Força e inércia...
Mas ia além de tais opostos, e era mediador e conciliador de razões e abstrações; as quais criara particularmente para lhe curar o tédio!
Notou certa vez que lhe aproximavam outros semelhantes universos, mas os ignorou em seu autismo seletivo, e preferiu se convencer único, mesmo em sua multiplicidade!
Era preciso continuar seus processos de nascimentos e mortes!
Deviam existir ainda outras Babéis, Romas, Hiroshimas!
Uns Napoleões, Paulos de Tarso, e Lênins; assim como seus coadjuvantes, figurantes e audiências!
Mas não agora!Não antes do almoço!
Pequenos deuses ainda não resistem ao aroma dos assados, ao borbulhar cítrico do refrigerante; então levantou-se naquele domingo, calçou os surrados chinelos e desligou o monitor.     



Anderson Dias Cardoso.
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