quinta-feira, 21 de março de 2013

Aquele Que Imitava.



Diziam que era ótimo imitador; uns, que era o melhor.
Sua habilidade não se restringia às vozes, mas reproduzia todo ruído que lhe chegava aos ouvidos.
E era daquelas pessoas expansivas que, sem pudor, exibia seu talento orgulhosamente, brincando com a sonoridade dos fragmentos disponíveis em seu espaço e memória, divertindo amigos e passantes; mas recentemente andava meio contido...
Diziam que estava se religiogizando.
Carregava seu livro onde quer que ia, e muitas vezes a boca se furtava de se recrear; mimetizando em estéreo as propagações dessa vida, preferindo recitar uma quase silenciosa prece!
E ele orou, jejuou e se santificou até que pôde ouvir a voz de Deus!
Então se comoveu com a gravidade e potência do logos e seu som de muitas águas, mas logo que o deslumbramento lhe fugiu da consciência se riu, e se riu daquele poder e manifestação; foi quando os lábios se abriram para o copiar:
“-QUE HAJA A LUZ!”
E houve!Com todo o brilho violento de miríades de sóis, e foi consumindo com sua alvura seu corpo, planeta, e toda a antiga criação!



Anderson Dias Cardoso.
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