segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Misofobia e Outras Patologias Recreativas.


As severas reprimendas da mãe em suas primeiras primaveras quanto à suas incontinências intestinais se insurgiram, e uma vez libertas das regiões subconscientes o moviam agora em estranhos e tristes rituais de limpeza e arrumação; dos quais os últimos decorreram dos períodos onde o entendimento rondava a confusão da pequena mente e a genitora o obrigava a ordenar além de seus parcos brinquedos.
Aos quatorze já o irritavam o desalinho e até a desarmonia de móveis, imóveis e pessoas; e já era acometido por pequenas “gasturas” por manchas e encardidos onde quer que avistasse.
Aos dezessete já tinha as mãos consumidas de cloro, a casa vedada e labutava 18 horas pela salubridade do lar, enquanto o estomago ulcerava de ansiedade pelos poucos instantes em que o corpo o obrigava o repouso.
Nestes dias o laudo pericial já o concedia o título de inválido, e governo o amparou com salário mínimo.
Nos anos subseqüentes acentuaram-se os surtos misófobos e ataxofóbicos e ele já visitava com suas disposições as vizinhanças, e invadia casas, agredindo seus moradores pelo direito de higienizar suas casas.
No auge de suas psicopatias vitimou uma idosa por seu imundo amado banheiro; e quando a sociedade o julgou sua causa o encontrou uma alma que já não era capaz de responder por si, e então a sapiência do magistrado converteu sua pena em oportuna terapia:
O homem perambulava agora contente, entre um banheiro público e outro!



Anderson Dias Cardoso.
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