domingo, 20 de maio de 2012

A Arte do Engano.

Assentaram se tranquilamente nas cadeiras anatomicamente preparadas para as costumeiras longas esperas, e lá já estavam elas a os captarem para distribuí-los em tantos aparelhos quantos interessados no embate.
Recusaram se cumprimentar; o orgulho e a tensão dos episódios anteriores foram suficientes para furtar qualquer sentimento de respeito alheio.
Eram os dois melhores enxadristas de todos os tempos, estudados em manuais e copiados por entusiastas e profissionais do esporte; eram também seres silenciosos e mal humorados, dos que se comunicam através de um dialeto de grunhidos e resmungos.
O horário havia sido adiantado emocionalmente por uma expectativa e excitação comum à todos envolvidos, e então eles consultavam novamente as regras, inspecionavam inquietos as velocidades dos cronômetros.
E logo as mãos do juiz se estendiam como uma encruzilhada, e todos sorriram deliciados quando o preferido das maiorias fez virar o rei branco em seu favor.
Entrecruzaram também, naquele momento os olhos dos adversários, e em susto ambos notaram a marca somente visível aos iniciados e se irritaram muitíssimo!
Haviam ambos pactuado com o próprio Diabo pela garantia da vitória!
As mentes então sofreram pela possibilidade de um jogo limpo, e uma possível derrota e depois de hora ambos resolveram mover um peão qualquer que pudesse calar a multidão de descontentes com a apatia da partida.
Poucas outras peças se movimentaram desde então, e a tática passou do dolo à tentativa de cansar e impacientar o adversário.
Foi tudo vexatório e muito demorado para ambos, um jogo de empatados do qual o “tinhoso” exercitou pouca paciência, deixando se digladiarem os corpos vazios no tédio daquele recinto enquanto levava satisfeito a alma dos dois enganados!
 
Anderson Dias Cardoso.
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