quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um Eu Entorpecido.


Já nada sentia; e era corpo livre de qualquer estímulo  físico, intelectual ou emocional.
Supria conscientemente os básicos apelos de sua existência, e se se relacionava, era para não quebrar, com sua estranheza, os paradigmas sociais.
Trabalhava simulando fadiga, sorrisos e simpatia; porém não havia fardo ou tédio e ainda, satisfação.
Havia-se rigorosamente com qualquer dívida, horário, compromisso.
Variava os tons da indumentária, não visando efeito ou vaidade; e se haviam perguntas sobre seu espírito do momento às vezes se fazia de infeliz, outras se ria com riso tão aberto que era convite à sua alegria inexistente!
Mandava flores à mãe em dias calculados, e ao pai oferecia companhia em jogos e compromissos e chorava junto à qualquer que sofresse por alguma pena!
Se não havia realização, a disciplina era o mais parecido ao contentamento que jamais provara...
E isto ainda era fagulha, ou esforço  para existir!

Anderson Dias Cardoso.
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