domingo, 8 de abril de 2012

O Agiota.


O ápice de sua cobiça e ganância veio ao descobrir a usura, em valores de mercado inflados pelo desespero dos carentes.
Mesmo começando com modéstia soma, sua avareza e perspicácia o levaram à organizar-se em grande quadrilha, que realizava desde cotações até cobranças violentas de qualquer quantia.
A garantia de muitos era a possibilidade de alguma fratura, ou subtração de objetos equivalentes às dívidas; e em raros casos, a vida respondia pelo preço.
Um pobre homem foi avisado que mesmo o pouco que tomara (o equivalente à não mais que um dia de serviço, para suprir o vácuo de três ventres) seria recebido de volta, acrescido de suas taxas de contratação, e juros sobre juros.
Ele prometeu honrar sua dívida; infelizmente a pobreza não o permitiu; e a tolerância do credor o poupou até que o valor pudesse o escravizar por toda a vida, então lhe enviou alguns dos seus para requerer o ajuste.
A folha da conta mal acomodava a cifra, e o homem desfaleceu ao notar que não havia dinheiro para pagar, e que, a legislação moderna proibia a escravidão por dívida!
-Nada tenho para lhes compensar minhas despesas! Implorou o homem.
-Não se preocupe velho, pois, mesmo ao que não tem como pagar, paga!
E feriram gravemente o pobre em seus lombos, e, do requerido auxílio doença receberam “eternamente” seu quinhão!

Anderson Dias Cardoso.
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