quinta-feira, 29 de março de 2012

Um Mundo Negro.


Vieram de súbito as mais terríveis tempestades solares, potenciadas pela já quase ausência da camada de ozônio, e então os filtros de fatores elevados não mais asseguravam a saúde cutânea, e os casos mais agressivos de melanoma saturavam todo sistema público de saúde.
A solução para os incômodos da parcela clara da população veio com a reengenharia genética que, pigmentando a pele de seus pacientes diminuía tanto os efeitos danosos quanto estéticos.
Gradativamente quase todas resistências psico-sociais foram vencidas, e já não havia um branco sequer que desfilasse o orgulho de sua pele envelhecida precocemente pelas ruas!
É claro que houveram movimentações inversamente racistas, e onde estas brotavam haviam de se comprovar a autenticidade de sua “raça” para que não fossem molestados!
Diante de uma negritude quase absoluta a discrição era a segurança dos opressores de outrora, e estes logo pegaram o jeito!
Alargaram-se cirurgicamente muitas narinas naquele tempo, e tantos cabelos foram encrespados, e a capoeira e o samba alcançaram a predileção quase absoluta!
Naqueles dias, eu perguntei à um conhecido racista pelo seu nome, e ele me disse:
-Pode me chamar de “Seu Nego”!

Anderson Dias Cardoso.


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