domingo, 25 de setembro de 2011

O Repentista.

Falhou no repente e caiu em desgraça; disseram-lhe ser feitiço o que lhe paralisou na boca o verbo!
Chamou outra rima e o próprio adversário se juntou à platéia esperando superação, mas o que veio foi choro e sua vitória foi o sabor da indignidade.
O homem fugiu das rodas dos cantantes e só ousou erguer a voz sozinho e com letra em mãos.
Andava seguindo conselhos, e banhou-se em água de ervas e sal grosso, atou um patuá e pediu proteção aos guias.
Mãe Rita julgou ser mau-olhado, e ele comprou cesta e deitou a gorda galinha, farofa, mel e aguardente, mas o trabalho não lhe devolveu o improviso; antes, o passado ia se evadindo e a vida se tornando pauta branca e sem ritmo.
E assim se deu, até que os seus olhos apagaram seu brilho; ele já não sabia quem era e novamente a dor dos circundantes foi maior do que a sua.

Anderson Dias Cardoso.
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