domingo, 8 de maio de 2011

A Honestidade Não Tem Perdão.

Distribuição muito irregular de postes nas ruas, e num desses trechos de penumbra a carteira chamou minha atenção. Tomando a  em minhas mãos  examinei o material  vagabundo, e também seus compartimentos dos quais achei  documentos e um cartão de uma certa loja.
Ponderando nas dificuldades de se retirar cópias de documentos procurei no dia seguinte a dona da carteira, e entre consultas às listas telefônicas e serviços telefônicos (eram tempos onde não se ouvia falar de Internet) identifiquei com muita dificuldade a tal senhora e a convidei à minha casa para que lhe entregasse seus pertences.
No dia seguinte quase uma comitiva adentrava minha sala enquanto assistia o jornal, e minha tia me serviu de recepcionista e porta voz. Eu escutava os diálogos entrecortados pelas notícias sem me voltar; era muito tímido e não necessitava de agradecimento, me sentia feliz por ter sido útil.
A carteira foi recebida e um discreto agradecimento foi seguido por um silêncio que deduzi como a partida da caravana.
-Cadê o dinheiro que estava aqui?-A voz de um dos tantos homens do grupo soou desconfiada.
Uma tia confusa tentou responder que não havia nada além dos documentos e o cartão, e perguntou o que especificamente havia sido subtraído da carteira.
-Havia 400 R$ em espécie e 200 R$ em cheque!
Fui convocado a listar o que havia encontrado, e reafirmei que era exatamente o que havia entregado. Eu o fiz sem ao menos me levantar da poltrona, com um leve mover de pescoço na direção dos que me tinham como suspeito.
Com alguns murmúrios, agradecimentos entre dentes e oferecimento de ajuda caso algum dia necessitasse foram desaparecendo um a um pelos batentes da porta me julgando em seus corações, me odiando pelo bem que fiz...


Anderson Dias Cardoso.
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