terça-feira, 13 de abril de 2010

Traumas capitares!!!


Mais ou menos quando tinha uns 23 anos meus cabelos,(assim como os de todos homens de minha família!) começaram a cair em um ritmo assustador, bom...como disse Frejat(Barão Vermelho):"Homem não chora nem por dor nem por amor..." eu fui forte, resisti e me lembrei do resto da musica: " Esse meu rosto vermelho e molhado é só dos olhos pra fora...", eu fui muito homem e não chorei (pelo menos não na frente de ninguém!)...me angustiei, e do fundo de um coração dorido nasceu quase uma poesia!!!!Deliciem se com os traumas de uma cabeça que perde gradativamente seus fios:

Traumas capilares

Conferindo minhas vaidades, como de costume, notei uma leve diminuição capilar, e como por vezes imaginei minha “maturidade” grisalha e charmosa, considerando tais decréscimo, talvez a velhice me chegue sem fios...mas ao menos será uma calvície simpática. Assim sendo, a velhice, ou melhor a calvície não me parece tão distante, mas por hora, minha idade não combina muito bem com uma cabeça lustrosa, e após uma longa e criteriosa análise, deduzi ainda que minhas roupas definitivamente não se harmonizam com uma cabeça nua!
Com o efeito da queda de cabelo novas descobertas preocupantes; mais ansiedade, e mais queda de cabelo, e me pego olhando no espelho e conferindo quantos ainda se agarravam a sua pátria, e noto em mim aquilo que costumamos chamar de “orelhas de abano”, o que me levou a considerar a compra de um par de óculos, mesmo tendo vista excelente, pois as hastes disfarçam os vãos entre o crânio e as orelhas. Pensando no modelo e a espécie de lentes me seriam ideais comecei um demorado banho, e dediquei uma atenção maior aos remanescentes, não os ensaboando com a feroz displicência de outrora, mas, os acariciando com ternura paternal; tendo em mente que teria que reestruturar o orçamento para esse novo cuidado!Abaixo me afim de ensaboar os pés, e de horror quase me foge o coração! Vejo no ralo, estilizado, como um animal morto! Uma porção de mim! Despeço me como que de um ente mui estimado, e faço deslizar por aquela tubulação, contragosto! Penso no desperdício, no calor que me proporcionavam, e de como ornavam me a cabeça, não contando os diversos tipos de cortes e penteados, sempre muito obedientes ao gel e ao pente; e que agora era provável o uso de bonés, e outras formas de disfarce, e talvez, com um pouco de economia, décimo terceiro e outros quem sabe até um transplante!

Anderson Dias Cardoso. 
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