terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Casas Mal-Assombradas.



Maldições, família residente assassinada por um psicopata que empurrava um carrinho de churros, vozes e luzes brilhando durante as noites marcadas nos calendários arcanos como agourentas, barulho de correntes, boatos de frases escritas em português errado num tom sanguíneo ralo de uma vítima que certamente sofria de anemia, portas batendo, canções entoadas por aquelas assustadoras vozes de crianças, sob um fundo de caixinha de música...
O lugar era muito visitado, e as histórias aterrorizantes, mas na chegada de alguém tudo acontecia ao contrário... ou melhor, nada acontecia!A casa empoeirada, o cheiro de mofo, o carnaval dos ratos, os véus estendidos das prendadas aranhas, mas fantasmas?Nada!
Ao menos aos olhos dos outros!
Eles estavam ali, quietinhos num canto, aborrecidos com mais aquela leva de curiosos barulhentos. As excursões se tornavam mais, ou menos freqüentes, de acordo com a publicidade de algum caso parecido, uma nova geração de crianças curiosas, ou alguma referência literária ressuscitado, repaginada, e plagiada.
-Será que eles ainda vão demorar muito?-Era a pergunta ansiosa repetida naquelas ocasiões.
Eles ficavam por ali, num canto escuro de sua própria casa, num silêncio aborrecido, sentindo comichões em seu ectoplasma. Vez em quando um grunhia, mas logo era repreendido pelos demais!A maioria organizada sempre se indispunha com a minoria bon-vivant/baderneira!Eles avisaram para não fazer barulho, para evitar a pirotecnia, para desenvolverem seu Mobral com aqueles restos de gesso, deixados numa ultima reforma, ao invés daquele efeitinho manjado de sangue, típicos das adaptações do livro do Stephen King, mas algumas almas preferiam brincadeiras escandalosas, e simulações de filmes de terror!Ninguém é perfeito, mesmo depois de morto!
Agora restava esperar aquela temporada passar. Se ficassem caladinhos por mais algumas semanas, acabariam por fazer o pessoal desacreditar dessa besteira de fantasmas, desestimular esse turismo invasivo, e encerrar esses clichês de estórias de casas assombradas.



Anderson Dias Cardoso.
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