domingo, 30 de novembro de 2014

O Zé-Bugado.



“Que bom que aperfeiçoaram o processo de transferência de consciência! Agora vou esperar baratearem o serviço, e encomendarei um clone de uns vinte e poucos anos, sem aqueles defeitinhos genéticos e pré-disposições a coisas desagradáveis...”-Ele disse!
Juntou uma grana (uma grana mesmo!), uns cupons de desconto, pontos acumulados no cartão de crédito e esperava alguma promoção.
Havia tempo!Pelas contas, e expectativa de vida. Mas, depois lhe diagnosticaram a diabetes, e ele, em uma consulta à internet, descobriu que um pâncreas  artificial custava quase o mesmo preço de um “transplante de alma”.Procurou uma daquelas clínicas obscuras, recomendadas aos sussurros por um ou dois amigos que conheciam pessoas as quais haviam feito a troca de corpos, e se diziam satisfeitas!
 Ele pensou se, como em outras vezes, os “amigos” não receberiam “algum” pelas indicações feitas.
Oito dias depois, firmado o contrato sob um desconfortável clima de desconfiança, num lugar que denotava pouquíssimo profissionalismo, foi encaminhado para a sala onde “subiriam seu conteúdo pessoal”.
Tudo foi tranqüilo, e, à despeito das péssimas impressões iniciais, os “garotos do computador” sabiam mesmo o que faziam; e, depois de algumas horas emularam seu arquivo para que visse, até permitindo uma prosa rápida consigo mesmo!
Voltou para casa satisfeito, abraçou mulher e filho, prometendo que já havia olhado um corpo novo para ela, e um videogame holográfico de segunda geração para ele. No outro dia o desligaram deste mundo, transferiram os dados restantes, e o religaram no corpo melhorado!
Ótimo hardware!Bonito, saudável, um pouco mais inteligente (eles acionavam as conexões sinápticas de acordo com o pacote)... Ou, seria!
Por alguma causa, a qual ninguém sabia ao certo explicar, o arquivo instalado no corpo novo veio corrompido! 





Anderson Dias Cardoso.
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