domingo, 22 de janeiro de 2012

Rapunzel...

...E da caminhada de dias, o frio das chuvas e das surpresas de qualquer perigo o levaram ainda sim ao altear da torre sem portas.
A hera vestia justa suas pedras, e toda árvore se envergonhava de sua estatura diante do corpo mais robusto da construção, onde a leveza dos pássaros ousava perscrutar janelas e espaços.
Ela permanecia na espera, de olhos atentos às clareiras e fogueiras que se aproximassem de sua solidão e de forma alguma ignorou o som do casquear que cantava suas esperanças não longe de suas impressões.
Fingiu surpresa, após um tempo razoável voltou os olhos para fitar o amor que chegara, e eis que luzia suas cores à força do sol.
Ela, angustiada, lançou lhe a cabeleira para que a alcançasse o abraço, e ele fitou o amontoado dourado que era convite ao compromisso.
O príncipe tateou-lhe os fios, e o exalar de seus aromas lhe brincou deliciosamente às narinas; perscrutou na densidade do trançado por vestígios de vidas, ou caspa, mas ela se mantinha limpa, com esforços que não se podia imaginar.
Ela acenou sua pressa, e ele, seguro em sua firme maciez, se firmou em algumas pedras ascendentes.
Ela sorriu para sua liberdade e matrimônio; ele se enamorou pela gravidade.
O pequeno corpo foi puxado da janela com violência e riso, e quando se quebrou na densidade do soalho ainda tremeu por tempo de três suspiros.
A mão do amante deitou fora a carapaça reluzente, e sacou da algibeira a navalha.
Não por acaso suas perucas eram tão caras!
   
Anderson Dias Cardoso.
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...