segunda-feira, 7 de março de 2011

Diógenes e a Lâmpada.




Os pés empoeirados chutam a peça, o corpo se inclina, apanha e limpa-a fazendo reluzir o metal desprezado.
Ia atirá-la fora, como um desprezo às tentações dos deuses que desde muito ignorava, mas a vibração do artefato o aterrorizou, e a névoa se corporificou como uma
manifestação quase onírica que ofereceu, com voz firme, os desejos que lhe cabiam.
-Mestre Diógenes, tens direito à três desejos!
O andrajoso se irritou ao máximo! Reduzira ao mínimo os caprichos da vida e agora outro (além de Alexandre) o tentava seduzir com as intranquilidades do possuir!
Nada queria, mas a voz instava ansiosa para que seus pedidos o libertassem.
Diógenes se lembrou de seus parcos bens; seu barril-casa, seu alforge, seu bastão e tigela e o coração se estremeçeu ao imaginar perder sua liberdade ao se prender pelo apego a oque quer que fosse e então voltou-se resoluto ao Gênio e barganhou seus desejos.
-Dos três quero somente um, e desobrigado estará de sua empreita!- Acertada a estranha troca o Gênio inquiriu o filósofo e lhe concedeu o pedido.
O Gênio partiu radiante, deixando selado a lâmpada; agora habitada por um eufórico novo morador.
Muitas outras vezes esfregada, a lâmpada liberava somente o pó que maculava as mãos pois o filósofo se recusava sair e atender qualquer pedido que o libertasse de sua nova liberdade...
Um lar...era tudo que precisava!

Anderson Dias Cardoso. 
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