quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inversões Em Uma Noite Estranha.

Curiosamente entre a marquise escura da auto-peças e o parque que, com suas luzes ofuscava
a noite um corpo se guardava do frio sob uns trapos sujos, cuja a voz se alteou mais que
as músicas que embalavam as brincadeiras e brinquedos do lado alegre da rua.
-Ei!
Ao acercar me o monólogo rápido expôs sua situação, e me comoveu com suas misérias:
-Sou aidético, morador de rua, estou doente e tenho fome...Podia me comprar algo para
comer?
O coração doeu de compaixão e revirei os bolsos e encontrando quatro reais, remanescentes
do último salário, meu suprimento para a próxima semana, resoluto atravessei a rua e
me desfiz da metade dessa minha pequena "fortuna" e na barraca de cachorro-quente  recheei
um pão com toda variedade e os melhores sabores possíveis para meus parcos recursos!
Atravessei contente a rua; o coração leve mesmo entendendo que a caridade quase me
esvaziara os bolsos e limitara ainda mais meu fim de mês.
Ao me notar, o corpo magro se endireitou recostando se na parede, e eu me inclinei
oferecendo-lhe um cachorro-quente fartamente recheado, e novamente sua voz soou forte para
agradecer:
-Cadê o refrigerante???
Não, não era para agradecer!Entreguei-lhe o agrado, e o deixei devorando o
"cachorro-quente seco"!
Aquela foi apenas uma das minhas estranhas noites que me lembro divertido mesmo após
tantos anos!!!

Anderson Dias Cardoso. 
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