quarta-feira, 16 de junho de 2010

Escrevi quando tinha 15 anos...


A acolhida do fecundo que, envolve, abraça... guarda.

Nutre-se do humo, e rega-se com pouca água, mas ainda nasceria na esperança do viço e fortaleza!

Então rompeu-se numa noite este mesmo solo, erguendo-se orgulhosa, mas estava sozinha... no negrume da noite, então estendeu seus tenros caules, clamando o espaço que lhe cabia. Tateou, e desbravou, distendendo seu corpo, apalpando o vácuo, até alcançar algo.

Mas a aurora não tardou.
Trouxe o deslumbre da clareza, e o calor agradável; e como ela amou o dia!

Mapeou os detalhes de sua delicadeza e o vigor de suas folhas que lutavam consistentes contra cada leve brisa que lhe brincava o corpo.
O tempo se orgulhava dela, e do seu orgulho coroou-lhe a cabeça com pétalas perfeitas, rubro-sangue; tornando-a toda vaidade, e amor vivo.

Mas o quotidiano trouxe a naturalidade, e ao luz do dia tornou-se banal, pôde daí explorar, não ela, mas os contrastes delineados também pelas trevas, entregou sua atenção ao horizonte, e seu coração se encheu de tristeza, quando o que se encontrou foi a aridez do solo pobre, e uma vegetação rala, acizentada. Pela primeira vez sua radiância e beleza eram motivo de vergonha, distância ingrata que poderiam invejar! Oh! Desgraçados arbustros, queimados de sol, troncos aberrantes que torciam, e espiralavam, ferindo o vento com seus espimhos, e galhetos rudes.

Espaço de amarelo doente...morto!

Tamanha vergonha! Encolheu os galhos, e sentiu rasgar-se em sulcos o corpo, que jorravam agonia. Cada pétala perdeu seu brinho, o perfume desapareceu, e a rosa foi abrançando-se, rompendo-se em rugas e por fim, deixando cair pétala a pétala no chão poerento...

Tornou-se ramo, raquítico, a quem o vento, a incapacidade de absorvição de suas raízes, que atrofiaram, servindo apenas de alimento aos parasitas... O sufocaram.

Da rosa, o que restou senão sua beleza, que ainda se faz lembrar nas mais doces reminiscências daquela vegetação tão feia... tão viva!

Anderson Dias Cardoso. 
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